terça-feira, 2 de agosto de 2011

A arte de sentir-se viva

Foi forte. Tão forte quanto o barulho de um trovão numa tempestade, tão forte como as ondas de um mar revolto, mas tão inspirador como o cruzar das pernas num tango. Assim eu sonhei noites de lua cheia e noites escuras, com tua imagem tão viva e  uma realidade tão distante. Persegui este meu sonho sem nem mesmo saber a razão. e assim te conheci e soube que eras real. Cada momento, cada detalhe, cada semelhança dentre tantas diferenças. Insegurança? Não. Certeza.

Respirei fundo mais uma vez, mas foi tão inútil quanto nas últimas tentativas. Dentro do meu peito, meu coração saltava acelerado, seguido pelo ritmo do tremor dos meus dedos. Nenhuma posição parecia confortável. Repassei cada passo e entrei. Senti os olhares na multidão. Desconfiança, curiosidade, entusiasmo, ansiedade.

Encostei as mãos no trapézio e subitamente tudo silenciou. Não havia mais nada além de nós dois. A energia fluia como nunca e eu tive certeza que tudo daria certo. Foi como nos velhos tempos. O ritmo da música como fluido vital. Esse é o momento em que me sinto mais segura. Os minutos em que tudo se resume na alegria de sentir-se viva novamente.


sábado, 25 de junho de 2011

Numa sexta-feira à noite

Camila chegou na hora exata no local onde haviam combinado. Era um edifício sem muito luxo numa rua tranqüila, onde um pequeno jardim enfeitava o trajeto entre as grades e a porta de entrada. Atravessou o hall e se postou em frente ao grande espelho. "Porque será que meu cabelo está sempre desajeitado?"


Naquele dia em especial estava irritada. Não se sabe se por cansaço ou se por efeito da TPM, mas era um fato: Camila só não havia brigado com o namorado porque não tinha um. Foi assim, como uma avalanche em formação, que tocou a campainha do apartamento 403 naquela sexta-feira à noite. No fundo não queria estar ali, mas sabia que ver seus amigos lhe faria bem.


Karen e Marcelo haviam retornado da Europa recentemente e suas fotos da viagem estavam sendo projetadas enquanto o jantar não ficava pronto. Amsterdã. Como sentia falta de lá. Os parques, os bares, as praças... e Werner. Eram dele sem dúvida as melhores lembranças, mas a vida seguiu em frente e ela retornou ao Brasil. Camila sentou-se no sofá e suspirou.


Grande parte das pessoas não percebeu, mas Gustavo viu as lágrimas brotando em seus olhos e tentou interferir. “Castanhas?”. Camila se virou lentamente na direção da voz até seus olhos encontrarem os de Gustavo. Verdes como os de Werner... Mas transmitiam uma energia tão oposta à de seu grande amor. “Não, obrigada.”


Werner era capaz de acalmá-la só com o olhar. Com ele Camila sentia-se protegida e amada. Os olhos de Gustavo não eram assim. De alguma forma a perturbavam. Eram tão cheios de vida, de desejos e de paixão que fizeram Camila imaginá-los como um grande caldeirão borbulhante, pronto para explodir a qualquer momento. Não sabia como lidar com isso e mais do que nunca sentiu falta dos braços de Werner para abraçá-la.


Do outro lado da sala, Gustavo, encostado no marco da porta que dava acesso ao corredor, a observava curioso. Para ele, Camila parecia inatingível. Seus olhos verdes, seu grande trunfo com as mulheres, haviam falhado desta vez. Gustavo era um homem comum: não muito alto, magro, de cabelos escuros já com alguns fios grisalhos apesar da pouca idade. Para seus amigos, o que o diferenciava era seu coração de ouro, sua lealdade e sua alegria de viver.


No sofá, a inquietude crescia dentro do peito de Camila. Seus dedos apertavam uma das almofadas de cetim azul com tanta força que poderiam arrebentá-la a qualquer momento. Pensou em voltar para casa, mas este pensamento foi interrompido pela voz de Marcelo: o jantar estava pronto.


Estavam em 12 pessoas: quatro amigos de infância com seus respectivos pares, o casal anfitrião, ela e “o cara de olhos verdes”. Ela estava certa... Haviam feito de propósito... Mas quem seria ele? De onde teria surgido? Tinha certeza de jamais tê-lo visto nas festas do grupo. Não queria e nem precisava passar por tudo isso.


Revoltada, baixou a cabeça e começou a comer. Vez que outra esboçava um sorriso, na tentativa de participar da conversa. Falavam sobre os filhos. Camila jamais havia pensado em ter um. Talvez naqueles dois anos ela não tivesse pensado mesmo em nada, exceto em reencontrar Werner. De qualquer forma, sabia que se tratava de um amor impossível. Depois da promoção não poderia sequer pensar em sair do país sem ser de férias. E ele nunca demonstrou um pingo de vontade de conhecer o Brasil.


No lado oposto da mesa outro rosto pensativo ignorava a discussão, absorto em questionamentos que somente a ele interessavam. Em que estaria pensando a mulher à sua frente? Misteriosa e atraente, assim a havia classificado. Uma combinação inebriante em sua opinião, tornando impossível mudar a direção do seu olhar.


Por um longo tempo permaneceram assim, como se aquele momento pudesse durar uma eternidade. E então, bruscamente, Camila saiu do transe e levantou. Foi até a porta antes de virar-se para se despedir. Queria ter certeza que ninguém bloquearia seu caminho. Com a bolsa no ombro desceu pelo elevador, deixando escapar um suspiro de alívio assim que a porta se fechou.


Gustavo foi mais rápido. Colocou a carteira no bolso e correu os quatro andares escada abaixo chegando ainda a tempo de vê-la sair pelo portão. Gritou seu nome, mas tudo que obteve em troca foi o baque surdo da porta do carro se fechando e novamente o silêncio da rua deserta. Por alguma razão, Camila não ligou o carro imediatamente. Gustavo hesitou e por alguns instantes permaneceu ali, olhando pelo espaço entre as grades. Vencido pelo desejo, atravessou a rua e foi até o carro estacionado alguns metros à frente.


Pelo retrovisor, Camila viu um vulto se aproximando. Suas lágrimas haviam transformado a rua em um amontoado de borrões luminosos. Assustada, girou as chaves e acelerou, sem enxugar os olhos ou olhar para trás.


Gustavo parou, impotente. Não havia conseguido sequer seu telefone e estava cansado dos encontros forçados por seus amigos. Não queria que fosse assim, mas agora dependeria do destino para encontrá-la novamente.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Fim do dia... que agonia

Dona Marieta não titubeou ao ver Rosângela esperando um táxi na esquina e foi logo puxando assunto. Amigas há tanto tempo quanto a memória as permitia recordar, nunca perdem a oportunidade de se vangloriar dos feitos dos netos ou falar mal das vizinhas. “Pois é comadre, aquela dona da casa verde trocou de marido de novo...” “Essas menina de hoje não sabe mais segurá marido não...” “E a Edilene, vai ganhar quando?” “Tá de 5 mês, é menina. Jéssica ou Vitória. Ainda não decidiu.”


Se a conversa das duas fluía solta, o mesmo não acontecia com o tráfego por ali. Dois fiscais de trânsito conferiam suas papeletas enquanto as sinaleiras cumpriam seu papel, coordenando o intenso fluxo de veículos naquele cruzamento bem em frente ao hospital municipal.

Em frente ao sinal vermelho uma longa fila já estava formada. Em cada carro rostos cansados do longo dia de trabalho. No primeiro deles, um corsa branco, Ricardo escutava seu CD preferido enquanto contava os minutos para chegar em casa. Quarenta e dois segundos depois o semáforo abriu. Ricardo engatou a primeira e arrancou. Ato reflexo: Donna Marieta, que até dois segundos antes estava com dificuldades para se despedir, vira-se repentinamente e começa a atravessar a rua sem sequer olhar para os lados. Hipnotizada pela seqüencia de faixas brancas e pretas aos seus pés, não foi capaz de perceber o quanto estava próxima do carro já em movimento.


Ágil, Ricardo pisou fundo no freio, mas sua mão, que rapidamente deslizou até a buzina vacilou. Estava na frente do hospital. A dúvida cresceu em milésimos de segundo. Buzinar ali naquele local e levar uma multa como havia acontecido semanas antes com seu amigo? Ou atropelar a velha e viver o resto dos seus dias com a consciência pesada? Não teve tempo de decidir. Virou rapidamente o volante e passou a menos de 20 centímetros dela. Essa havia sido por pouco.


Dez minutos depois Ricardo entrava no elevador rezando para sua esposa não estar com mais um dos seus desejos gestacionais indecifráveis e irrealizáveis quando foi surpreendido pelo seu próprio reflexo no espelho. Definitivamente uma herança paterna não muito agradável... Seus cabelos estavam desaparecendo com a mesma velocidade que seu pai desaparecera de sua vida anos antes. Infarto fulminante. “Foi stress. – Disse o médico na época.” Era preciso dar um fim nisso tudo.


Entrou em casa. Silêncio. Ótimo. Nem sequer tirou a chave da porta. Pegou papel e caneta, deixou um recado para Mariana e correu para o estádio ainda de terno. Então ele gritou e gritou e gritou... Como se aquele fosse seu time do coração. Noventa minutos depois, com o corpo suado, a roupa amassada e 10kg a menos na cabeça voltou para casa. Neste momento a calvície não importava e dona Marieta sequer existia... Mas de um coisa ele tinha certeza: poderia finalmente ter uma boa noite de sono.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Eu

Presentes de aniversário

             Todos os anos, no início de maio, a história se repete. Muitas pessoas se aproximam com o único intuito de saber o que quero de presente. Poucos acreditam quando digo que o valor material das coisas não importa e que eu ficaria muito satisfeita com qualquer coisa feita especialmente para mim. Guardo cartões, “presentes” e lembranças que me foram dadas há mais de 15 anos. Estão todas lá, guardadas em três caixas de sapato, aguardando o momento em que uma tataraneta resolva remexer nas coisas velhas escondidas no fundo do armário e encontre algo que considero um pedaço da minha história. As conseqüências disso... Bem... Isso será problema da minha bisneta, afinal a filha será dela e não minha!

De qualquer forma sempre me sinto compelida a dar alguma resposta e tento fazê-lo de forma justa. Não pediria, por exemplo, um carro novo, uma TV 3D ou uma viagem para o Nepal. Porém, já que fui questionada, não custa nada dizer aquilo que realmente preciso.

Uma vez respondi que gostaria de quatro pilhas recarregáveis e, obviamente, recebi uma risada como resposta, seguida de outra pergunta: “tá, sério mesmo, o que tu tá precisando?”. Ué... De onde eu tiraria a idéia de pedir pilhas recarregáveis se não precisasse realmente delas? Seguindo o mesmo tipo de presente, devo agradecer a uma amiga, que acreditou quando pedi um carregador de celular (o meu havia sido comido pelo gato).

Então um dia descobri que quando não se sabe muito bem o que dar a uma mulher se compra um brinco. Brincos são objetos interessantes, não pelo fato de serem usados para adornar o rosto ou complementar um visual, mas porque são comprados em lojas que costumam oferecer uma ampla gama de opções. Desta forma, caso o modelo escolhido não seja do agrado da aniversariante o mesmo pode ser trocado por qualquer item disponível. Os brincos são o novo vale-CD, recurso muito utilizado nos amigos-secretos há alguns anos. Neste dia perdi a esperança de receber qualquer item realmente necessário como presente e comecei a cogitar fazer uma espécie de caixinha para colaboração financeira espontânea que seria colocada na saída da festa (com cadeado, claro, para que não fosse surrupiada pelos bêbados – bastam R$3,00 para comprar uma garrafa plástica de cachaça no boteco da esquina).

Para a minha surpresa este ano as coisas foram bem diferentes. Não sei se minha capacidade de persuasão melhorou substancialmente ou se resolveram satisfazer meus desejos para que eu parasse com essa minha mania de pedir coisas absurdas aos olhos dos demais. De qualquer forma fiquei muito feliz. Ganhei cafeteira, panelas, pratos e um fantástico jogo de chaves de fenda. Incrível! Acreditaram que eu realmente o queria! Obviamente também ganhei roupas e brincos (todos do meu agrado, aliás). Se houve algo especial? Sim, sempre tem algo mais especial. Algo feito com a intenção de me sacanear e denegrir minha imagem perante os demais. Algo que me obrigasse a explicações constrangedoras. Algo friamente pensado. Algo que com certeza ficará guardado para a posteridade. Uma toalha do Luan Santana.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Acasos

Ela: 30 e poucos anos, morena, 1,76m, corpo definido a duras penas ao longo de vários anos de academia. desfilava seu corpo escultural usando um maiô azul, com as longas madeixas presas num rabo de cavalo.

Ele: 40 e poucos anos, 1,70m, cabelos castanhos claros já com entradas nas laterais e barriguinha proeminente. Caminhava arrastando os chinelos havaianas pretos, usando uma sunga também preta apertada, salientando ainda mais a barriga de chope.

Ambos se dirigiam à piscina do clube. Melhor dizendo, uma se dirigiria realmente à piscina, o outro passaria reto por ela e se dirigiria à sauna. Mas antes que isso pudesse de fato acontecer, suas vidas se cruzaram por acaso na saída do vestiário.

Ele: Estufou o peito, puxou a barriga para dentro, tentou um sorriso, parou de arrastar os chinelos e subiu na balança, com cara de quem diz; "Preciso checar se a dieta tá fazendo efeito."

Ela: Seguiu seu caminho normalmente, assistiu a cena e pensou: "Ninguém merece... Fez tudo isso só prá me ver de costas..."

domingo, 8 de maio de 2011

Porque presto atenção nas propagandas...

Entrei na loja (uma loja popular muito conhecida e tipicamente localizada no piso térreo dos shoppings, servindo como porta de entrada - e obviamente também de saída - dos mesmos). Ainda não tinha dado sequer 10 passos quando fui abordada por uma daquelas moças de sorriso forçado, roupa chamativa e uma sacola cheia de folhetos e brindes. Neste caso ela tinha em mãos uma garrafa de água mineral.
"Boa tarde, eu posso te oferecer um presente?"
"Ãhn?!?"

Antes que mais algum som saísse da minha boca ela já começou a empurrar uma garrafa de água mineral com um folheto pendurado na direção das minhas mãos. Relutei para pegá-la e isso só piorou a situação (ela começou a tentar enfiar a garrafa no meio dos meus dedos).

"Na verdade quem está oferecendo este brinde é O Giorgio Armani..."

(Nossa! Será que passou pela cabeça dela que eu poderia ter pensado que era ela mesmo quem queria me dar aquele brinde???) Bom, nem pude pensar muita coisa porque ela continuou seu discurso e nestas horas é melhor não interromper. Elas decoram o texto e devem falar em sequência, senão perdem o fio da meada e recomeçam. E escutar tudo outra vez equivale a dar uma cabeçada na parede.

".... se você comprar um vidro deste perfume que como eu já falei é lançamento desta estação, você estará automaticamente contribuindo com 100 litros de água potável..."

(O Giorgio Armani me oferecendo um presente? Velho tarado! Tentando me conquistar com 310mL de água! Ah.. Devo estar confundindo... ela deve estar falando do Jorjarmani da Silva, o segurança do shopping. Sim, porque se fosse a grife, a companhia, a loja ou a casa de alta moda obrigatoriamente o artigo seria definido feminino singular, ou seja, A Giorgio Armani.)

"... e esta campanha está sendo realizada porque ainda existem vários países no mundo que ainda não tem acesso à água potável, por exemplo a África. E comprando este perfume *(nome) você poderá estar ajudando estas pessoas."

(Fiquei tão abismada com as dimensões continentais do país citado que nem tive forças para me irritar com o gerundismo insuportável da frase seguinte...)

Eu precisava sair dali. Já estava nervosa, com vontade de derrubar uma das araras em cima da mulher. Agradeci a água e fui me afastando, mas percebi algo diferente. Um cheiro estranho me perseguia. Assim que cheguei ao estacionamento olhei melhor para o "presente". Havia uma tirinha branca presa na tampa, um daqueles papéis em que se borrifa um pouco do perfume para sentir a fragância. Horrível! Um cheiro forte e insuportável. Rapidamente o arranquei e o joguei na lixeira mais próxima antes que minha enxaqueca começasse.

Deixei a garrafa em cima da minha mesa, mas ainda não tive coragem de abrí-la. Ali diz "água mineral". Nem toda água potável é mineral... Nem toda água mineral é potável... Se estão fazendo uma campanha de doação de água potável, não seria mais adequado mandá-la para a África ao invés de distribuí-la num shopping?

Prestei tanta atenção para identificar os erros e os duplos sentidos, que praticamente decorei o texto. Os erros só fazem sentido no contexto... e o contexto, neste caso, é a campanha, portanto a propaganda foi bem feita. Mas se não fossem os erros eu nem teria assunto ontem à noite...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A pior noite do ano

No ano passado minha cunhada ganhou uma cadela bagunceira e hiperativa. Foi impossível mantê-la no apartamento e ela acabou sendo trazida para a minha casa.

Amarela e com uma capa preta que lembra um pastor, orelhas grandes e pontudas, um focinho fino e olhos pedichões. Ela é assim! Um bicho feliz.

Morde tudo, pula, destroi e jamais obedece ordens ou chamados. Mas a gente se afeiçoa e acaba gostando tanto do bicho que acha graça de tudo que ele faz. Ela é carinhosa, faz festa, espera ansiosa um momento de desatenção para invadir a casa todas as manhãs e tem um jeito só dela de "deitar para receber cafuné". (Algo semelhante a um contorcionismo canino, jamais visto anteriormente por nenhum individuo do nosso círculo de amizades.)

Ontem, voltando do feriado, fui a primeira a chegar. Sempre chego em casa esperando os latidos, ganidos e demais sons, mas desta vez escutei apenas o latido grave dos dois "velhos". Eles me receberam como de praxe, com rabo abanando, mas logo percebi que algo estava errado. Chamei, assobiei e nada.

Entrei, mas apesar da festa feita pela gata que eu amo demais, fui direto ao telefone. Talvez meu irmão estivesse com ela. Não, não estava. Comecei a ficar nervosa, ele também, talvez ainda mais do que eu. Enquanto ele vinha prá cá comecei a procurar. Procuramos por todo pátio na esperança que estivesse machucada e com medo que estivesse morta, envenenada. Mas não havia nem sombra dela, nem de uma possível rota de fuga.

Conversando com um vizinho descobrimos que outro cão das redondezas havia sumido há algumas semanas. Gelei! Tinham roubado nossa Luna!!! Mas quem roubaria um vira-latas? Com que intenção? Ninguém com boa intenção rouba um cão do seu dono. Tentei dormir, mas foi impossível, cheguei a imaginar que ela pudesse ter sido usada em algum ritual macabro.

A Lu (minha gata) não parava de miar e arranhar a porta do meu quarto. Provavelmente ela também notou que algo estava errado e que todos estavam nervosos. Abri a porta e ela entrou correndo e subiu na cama. Foi a minha sorte! Com ela colada em mim consegui pegar no sono, torcendo para que, por milagre, a Luna reaparecesse pela manhã.

Acordei com um falatório embaixo da janela, morrendo de sono e com olheiras da noite mal dormida. Abri a janela assim mesmo para olhar e prá minha surpresa lá estava ela! Abanando o rabo! Feliz! Nosso vizinho a encontrou! Não sabemos como, mas ela conseguiu pular para o terreno do lado. A diabinha nem prá ganir indicando que tava viva! Eu não sabia nem como agradecer. O monstrinho estava ali de novo! Sã e salva!